sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Um pouco sobre a Diversidade Autística

 

Quando a pessoa diz: "-Os Autistas tem grandes potenciais e capacidades, menos este grupo de Autistas aqui, porque este grupo de Autistas os médicos chamaram eles de "severos", é o mesmo que ela dizer :"-Separa este grupinho aí , dos demais Autistas, este grupinho não tem direito a ter capacidade nem potencial para nada, vamos deixar eles para trás, por último, dar tratamento privilegiado aos outros e deixar estes marginalizados e esquecidos." Esta pessoa está sendo capacitista, preconceituosa, e está segregando, marginalizando e criando uma Casta Mental que esta pessoa julga ser inferior ao resto.
E quando a pessoa diz " - Este grupinho X é de gênios, tem as melhores capacidades e potenciais, vamos dar as melhores chances e a melhor educação para eles, Já o grupinho Y , vamos separá-los do resto e deixar eles só recortando papéizinhos coloridos e colorindo desenhos prontos , por que é o máximo que vão conseguir aprender", a pessoa também está sendo capacitista, preconceituosa, está segregando, marginalizando, estigmatizando e criando uma Casta Mental de Afortunados e outra Casta Mental de Desvalidos, párias, já que a pessoa considera o grupo X superior ao grupo Y, então está privilegiando um grupo enquanto está desprezando e estigmatizando, marginalizando o outro.
Tudo isto é excluir.São formas de excluir Autistas. Alegar que sejam incapazes só por causa da classificação no diagnóstico da pessoa é excluir, marginalizar, desprezar, menosprezar, pré-julgar e estigmatizar.É negar chances e oportunidades a uns e dar todas as chances e oportunidades a outros.
Injusto, não é?
Pois é, é assim que o conceito de "espectro do Autismo" funciona. Quem acredita e pratica este conceito faz exatamente isto: cria Castas Mentais, favorece uns, prejudica a outros, privilegia a uns e marginaliza, exclui, joga para fora da sociedade os outros.
E quem foi excluído sempre terá muito menos chances de se desenvolver- e aí é que nasce o processo de infantilização de Autistas, um processo cruel, artificial, injusto , eugenista.
Por isto que a Visão Positiva do Autismo e da Neurodiversidade e seu conceito de Diversidade Autística é um conceito moderno, justo ,eficiente. Por que eliminando-se classificações, graus, níveis, categorizações e comparações enquanto se mantém as diferenças, e se coloca as diferenças só como diferenças, sem se preocupar em medi-las, dá-se a todos os Autistas as mesma chances, as chances justas, as oportunidades adequadas e favorece-se a todos para empreender o desenvolvimento deles, todos eles.Sem exceções, sem separações, sem privilegiados e se sem desvalidos.
Por isto o conceito de "espectro do Autismo" TEM QUE CAIR em desuso e ser substituido de uma vez por todas pelo conceito da Diversidade Autística !
Então, quando falarmos em capacidades e potenciais de Autistas, paremos de ficar falando:"-Ah, mas este não consegue!", "-Ah, mas este não tem capacidade para isto!" "-Ah, mas este aqui não tem jeito!" "-Ah, mas este aqui já está comprometido!" "-Ah, mas nada disto se aplica a aquele ali ! " "-Ah, mas aquele ali,nem consegue fazer isto ou aquilo ainda, nunca vi conseguir" .
Todos conseguem, todos podem conseguir. Todos tem potencial e capacidade . Não vamos mais discriminar ninguém e separá-lo do resto. Nenhum Autista é melhor que o outro, mas nenhum Autista é pior que o outro. Vamos parar de comparações entre Autistas, e entre Autistas e não Autistas. Vamos ser justos, democráticos, modernos. Vamos dar chances e oportunidade a todos.Todos ! Não importa como eles aparentem ser, todos ! Todos tem este direito, e não podemos negar a ninguém!
Viva a Diversidade Autística !
Autistas, unidos, jamais serão excluídos !
 
Cristiano Camargo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tem medo que seu próximo filho seja Autista?Então leia aqui !

 

Para quem já é mãe de Autista e está grávida novamente ou vai ser pai de Autista de novo, ou tem medo de que o próximo filho seja Autista:
Ser Autista é um privilégio negado a muitos. Se ele for Autista, orgulhe-se e fique feliz com esta fortuna na sua vida ! E recomendo que deixes o diagnóstico para o mais tarde possível, para depois dos 30/40 anos de idade, enfim, deixe ele se decidir se quer tentar o diagnóstico ou não. pq diagnóstico só atrapalha, e vc evita de ele ter de ficar passando por tratamentos, métodos e remédios psiquiátricos, que só tem intenção de tentar transformá-lo em um não autista, e atrapalha o processo de desenvolvimento e amadurecimento autista dele. Mantenha-o o mais autista possível a vida toda e o incentive a se orgulhar de ser Autista. Mostre a ele que ser diferente não é destoar, mas se destacar positivamente, e que ser Autista é ser diferente para melhor. Eduque-o desde bem cedinho para a independência, autonomia e liberdade. Mostre a ele que ele deve se determinar a perseguir e conquistar seus sonhos e realizá-los. Sempre mostre a ele que ser Autista é ser Capaz, que Autistas são seres capazes, eficientes, não deficientes, e que ele pode conseguir tudo que ele quiser, mas que tem de se esforçar e se determinar, lutar. Deixe-o errar e faça com que ele aprenda com os erros e não o deixe se frustrar. Mostre a ele a importância de acreditar em si mesmo, na sua capacidade , no seu potencial, e acredite , aposte e invista nele e nos sonhos dele tanto quanto ele. Nunca o superproteja ! Faça tudo por ele, mas não faça tudo para ele, ensine-o e deixe-o tentar quantas vezes for necessário, até conseguir, nunca o deixe desistir, seja dele a maior torcida, o/a maior e melhor torcedor(a), vibre com as vitórias e conquistas dele, apóie-o e incentive-o após as derrotas, e mostre que só perdendo é que se ganha mais para a frente, e que as pessoas só aprendem errando, que ninguém aprende nada acertando sempre. Ensine-o que certos sofrimentos são necessários, mas que serão gratificantes no futuro. Ensine-o a enfrentar as pessoas, impor respeito, nunca se abater e a não ser passivo diante do bullying, ele precisa saber se defender. Mostre a ele do que ele é capaz, seja um exemplo e mostre do que você é capaz, dos desafios na vida que venceu e superou. Respeite a necessidade de solitude, não o pressione por sociabilidade, evite que outras pessoas o pressionem por sociabilidade e interação social, respeite a natureza contemplativa dele. Incentive a imaginação e a criatividade dele, incentive o crescimento do Mundo Interno de Fantasia dele. Evite autoritarismo, seja só o companheiro(a) dele -quando ele quiser compania. E lembre-se: o aprendizado autista é lateral, não de frente , olhando nos olhos, então o ensine sempre de lado, ao lado dele, olhando de lado para ele. Siga estas dicas e sejam felizes !
 
Cristiano Camargo

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A invisibilidade Autista

 

Um Autista morre ao cair do décimo sexto andar, e o que é debatido nas redes sociais?
A mãe dele. Nem uma palavra sobre ele, sobre o que poderia ter levado ele a isto, se ele sofria bullying constante na escola, ou outras razões externas ao Autismo, que poderiam ser a causa, como em muitos casos, por exemplo o abandono do pai levando-o a se sentir profundamente rejeitado e a depressão, enfim.
Não se trata de buscar culpados, isto é bobagem, se trata de descobrir o que o levou a isto, para que novas mortes sejam evitadas no futuro.
Claro que é importante apoiar a mãe e saber o que ela passava, mas poxa, quem morreu foi o filho, então por que o que ele passava antes de falecer não é discutido, por que o que levou ele ao suicídio não é investigado por ninguém?Digo, as razões psicológicas...
Mãe e filho são vítimas, é certo. Mas não acho certo focar exclusivamente na mãe e fazer de conta que o filho não existe, não existiu, como se ele fosse (e tivesse sido a vida inteira) invisível.Alguém precisa falar sobre o filho, ele merece a atenção da sociedade também.
Autistas não são seres teóricos nas sombras de suas mães. Eles existem, e nenhuma mãe é mãe se não tiver filho, são os filhos que fazem da mulher uma mãe, a razão da existência dela e ela a razão da existência deles, uma bela dialética.Mas falando só da mãe, esta dialética fica incompleta. Vamos dar mais importância aos filhos!
E , por favor, ao falar do filho, não joguem o Autismo em um tribunal, nem o julguem, nem o condenem, ele é inocente (no sentido de não é culpado) no caso , no triste caso desde rapaz !
Não cabe culpa a ninguém, nem a nada, mas a corrente de acontecimentos psicológicos que levou a este desfecho precisa ser exposta !
Cristiano Camargo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O Remador contra a Correnteza: Ser tratado como Autista ou como "pessoa comum"?

 Olha, eu fui diagnosticado somente aos 41 anos de idade, e isto me fez um bem danado! Não tive de frequentar psiquiatras, nem tomar remédios, nem passar por "metodos" que tentam transformar Autistas em não-autistas subjugados, obedientes, cativos, e pude me superar sozinho e ser bem sucedido. Ser tratado como uma pessoa comum, com as pessoas te chamando de estranho? Quer o que? Quer ser tratado(a) como se fosse um(a) doente e ser superprotegido(a) e infantilizado(a)? Um tratamento condescendente que o/a tratem como coitadinho(a)? Sim, por que é exatamente isto o que a Sociedade entende por "ser tratado como Autista": receber um tratamento inferior, humilhante, poupado de tudo e de todos, colocado numa redoma que é na verdade uma prisão- de luxo ou não.E por acaso o tratamento das pessoas para com Autistas não deveria ser o mesmo do que o para com não-autistas?Diferenciar o tratamento é discriminar ! Uma vez que o Autismo é revelado públicamente, o público já começa a nos ESTIGMATIZAR, infantilizar, nos reduzir a diagnósticos com duas pernas, nos tratar como se fôssemos, nós Autistas, "coitadinhos doentinhos que precisam de proteção e que vão ficar dependentes de nós a vida inteira". Isto é estigmatizar, é exercer preconceito. Muitas vezes isto acontece por desinformação, ignorãncia, ou por serem leigos. Outras vezes, por maldade, crueldade mesmo. Mas quando mais precoce é o diagnóstico, mais cedo vem o massacre, mais cedo vem a opressão, mais cedo vem os bárbáricos remédios psiquiatricos pesadissimos, mais cedo vem a pressão para "não se comportar mais como um autista e ser como todo mundo". É ruim, gente, muito ruim, diagnóstico precoce é péssimo para Autistas, quanto mais tarde, melhor.Por que já tem estrutura psicológica para enfrentar o massacre hediondo das pressões da sociedade que tentam nos mutilar psicológicamente, seja por meio de remédios, seja por meio de maniqueísmos, autoritarismos, pressões sociais, "tratamentos", "métodos", etc. Não necessitamos de tratamentos psiquiátricos, precisamos de compreensão e aceitação. Se sentir estranho(a)? Olhem, eu tive uma infãncia e uma pré adolescência bastante isoladas, mas o isolamento me dava profundo prazer.Eu tinha consciência de que era diferente, e ser diferente para mim sempre fora uma qualidade. No dia em que uma velha amiga de minha mãe me disse, depois que meu já hoje falecido irmão me chamou de diferente no sentido de esquisito:"-Cristiano, você é diferente PARA MELHOR", Aí desencanei de vez com isto (aos 9 anos de idade) e passei a assumir alegremente e com tremendo orgulho minha diferença, do modo mais descarado do mundo. Deixei de ser escravo do que as outras pessoas iriam pensar de mim, e isto me fez muito bem. Não tinha o menor interesse em saber qual o nome desta diferença, isto para mim não importava. Ok, Autistas são muito diferentes entre si, e as mulheres autistas mais ainda, e as pressões que elas sofrem da Sociedade, as cobranças, para elas são maiores ainda do que as nossas, isto é um fato. Mas não vai ser um diagnóstico que aliviará isto, na verdade só aumentará as pressões e cobranças, então, o que há de mais importante para mulheres e homens autistas aprenderem na vida é SE IMPOR, IMPOR O RESPEITO, IMPOR SUA DIFERENÇA , EXIGIR QUE O TRATAMENTO NÃO SEJA CONDENSCENDENTE NEM INFERIOR. Exigir e impor respeito, é fundamental, e para isto é necessário se assumir como Autista, gostar de ser visto(a) como diferente, ver nisto uma qualidade, AMAR SEU AUTISMO, assumir sua diferença, sair do Armário. Sim, é difícil, é doloroso, é sofrido, mas vale a pena, pois é isto que vai te permitir enfrentar o "ser tratado como pessoa comum" e não virar pessoa comum, não ceder as pressões e cobranças, não tentar ser o que não é. A pior coisa que um(a) Autista pode fazer na Vida é tentar ser e se comportar como não-autista para agradar aos outros, tentar ser o que não é, se mutilar mental e psicológicamente.Não dará certo, trará sofrimento desnecessário e estragará sua vida. Autistas, não façam isto, sejam vocês mesmos, lutem para que as pessoas gostem de vocês e as aceitem como realmente são. São as outras pessoas quem tem de se adaptar a vocês, não vocês a elas. Claro, muitos(as) Autistas não viram suas Diferenças como vi na minha infãncia, mas ouçam este velho autista de 57 anos de idade e muita vivência, muita experiência de vida e muito traquejo no com o tratar que não autistas o dispensam. Mudem de atitude, assumam-se, insito, amem sua diferença e orgulhem-se delas ! Muitas vezes o que as pessoas chamam de esquisitos(as)/estranhos(as) são na verdade qualidades que elas invejam em vocês. Então, se te chamarem de estranho(a), esquisito(a), respondam de cabeça altiva e com todo orgulho:"-Muito obrigado(a), voc~e acabou de me elogiar !". E deem as costas 'a pessoa desconcertada com esta resposta inesperada. Por que se vingar é melhor que chorar. Por que isto é se impor, se empoderar. Então a luta de vocês, de todos nós Autistas, é se empoderar, inclusive políticamente.Ser subversivo(a) é a melhor resposta ! Por que muitas vezes a pessoa que é a única a remar contra a correnteza enquanto todas as outras remam a favor, é a única correta e as demais, erradas.Pensem nisto, amigos e amigas Autistas. Não deixem um diagnóstico e as outra pessoas definirem a vocês nem as suas vidas. Só sua Natureza, sua Natureza Autística, tem o direito e o poder para fazer isto.

 

Cristiano Camargo

domingo, 31 de janeiro de 2021

Interações Sociais Autísticas na Sociedade

 

O Autismo é uma diferente Natureza de Ser, que faz parte da Diversidade Natural Humana. Todos os Autistas são muito diferentes entre si, sem graus, níveis, classificações, apenas diferentes, ponto. Assim, cada Autista reagirá de uma maneira diferente ao bullying e ao preconceito. Porém, a Natureza Autística, ou mais, ou menos pronunciada em cada indivíduo Autista, é contemplativa e autodidata, de forma que é muito comum Autistas aprenderem sozinhos os assuntos que amam, uma grande fascinação pela descoberta do conhecimento, e assim, muitos tem necessidade imperiosa de solitude, ou seja, silêncio e isolamento para criar, produzir "filosofices", mergulhar em ricos e complexos mundos de fantasia e criatividade. Porém, Sociabilidade e Interação Social não são obrigações, devem ser opções de cada um(a) a serem respeitadas. E muitas vezes , a pressão social pela sociabilidade e interação vão contra esta natureza de ser contemplativa, autodidata, criativa. Para quem não tem o privilégio de nascer com uma Natureza de Ser admirável como esta, é difícil compreendê-la, por que ela não é o padrão da Sociedade Não-Autista, pois este padrão é o de ser copia-e-cola, preguiçoso para pensar, ser maria-vai-com-as-outras, se acomodar em zonas de conforto e ser individualista e sociável, mas uma sociabilidade vazia, de relaçoes superficiais individualistas, narcisísticas , egoístas e ególatras, competitiva ao invés de cooperativa, sem empatia.As interações sociais exercem a hipocrisia e a "Lei do Gérson".Vale a pena inserir o Autista em uma rede de interações sórdidas e existencialmente vazias , rasas, como esta, alguém que com frequencia é tão sensível e tão altruísta, tem tanta empatia e teoria da Mente?Isto vai da reflexão e decisão de cada um, não me cabe julgar. Mas se quisermos esta Inclusão, precisa ser uma Inclusão de verdade. Por que digo isto? Por que esta história de "O Autista tem de se adaptar 'a Sociedade para ser sociavel e interagir socialmente e interagir socialmente para que ele possa ser incluído" não está com nada, é completamente equivocada e preconceituosa e autoritária também. Não é o Autista quem tem de se mutilar mentalmente e deixar de ser contemplativo e se comportar como se fosse não -autista para ser incluso. Esta não pode ser um exigência da Sociedade, uma condição para que ele seja aceito na Sociedade. Por que não se incluem os iguais, eles já estão inclusos. Incluir significa admitir em seus círculos os Diferentes , compreender profundamente e respeitar suas Diferenças. Isto é ser honrado, ser magnãnimo, ter caráter reto e ser honesto, ser Moral e Civilizado.Então é a Sociedade quem tem a obrigação moral de se adaptar , entender e aceitar ao Autista como ele é, sem encará-lo como se ele fosse doente ou portador de um transtorno, pois aí, além de ser um ato psicofóbico e preconceituoso, seria colocá-lo dentro da Sociedade com um status social inferior aos demais, para mantê-lo sob controle, sem autonomia, independência nem liberdade, ou seja, sem dignidade.Outra coisa que precisa ser entendida é a de que Ser sociável e ter interações sociais não só não é obrigação de ninguém, como não pode ser estabelecida como condição para a Inclusão. Por que toda Inclusão é, e deve ser sempre, INCONDICIONAL .

. Além do mais, eis que pois, não é necessário ser sociável nem interagir socialmente para estar incluido(a) na Sociedade. A pessoa pode ser isolada, trabalhar em home office, ganhar seu dinheiro, se sustentar, pagar seus impostos e contribuir com a Sociedade através de seu trabalho.E estará incluso, mesmo não interagindo comumente com ninguém, só virtualmente.

Assim, o papel dos pais de Autistas deve ser o de educar seus filhos para a independência, autonomia, liberdade, e ensiná-lo a se impor perante os outros e impor o respeito. E o dos pais de não-Autistas deve ser o de educar seus filhos a entenderem e aceitarem e admirarem as Diferenças e a não praticarem bullying nem chacotas. E o das autoridades educacionais e da Sociedade é punir os praticantes de bullying e conscientizá-los. Por que se não tiver algum tipo de punição, não só não aceitarão a conscientização, como vão se apoiar na impunidade para continuar fazendo chacotas e batendo, espancando, matando.Então o certo é chamar os pais das crianças que zoam com Autistas e conclamá-los a punir seus filhos por isto e os conscientizarem da importãncia de tratar os Autistas com respeito e dignidade.Só educando as atuais e futuras gerações de não-Autistas, poderemos terminar com este preconceito que já começa na infãncia-e que pode piorar com o tempo.Então nada de chorar, é se impor as crianças que zoam com seus filhos, pegar os nomes dos pais deles e fazer reuniões com eles , de conscientização e exigindo reparações e providências. É preciso muita objetividade nesta hora, se quiserem defender seus filhos e impedir que sejam vítimas de novo. Nós, Autistas, agradecemos !

Cristiano Camargo

sábado, 28 de novembro de 2020

Dez Dicas Preciosas para Mães e Pais de Autistas no lidar com seus filhos



Vou agora lhes dar algumas dicas, as quais eu tenho dado para muitas mães, que talvez possam lhes ser úteis, então, lá vai:
1) Autoritarismo e Autismo não combinam. Muitas mães me procuram para pedir dicas de como forçar os filhos delas a obedecerem a elas cegamente, ficarem dóceis e submissos, dicas estas que nunca dou, pq prejudicariam os filhos delas. Autistas não aceitam ordens, não gostam de serem mandados, e nunca serão, por conta própria, dóceis e submissos. Por isto que muitos médicos administram remédios psiquiatricos que forçam a submissão artificialmente, o que a longo prazo, faz um mal danado aos Autistas. Tudo com os Autistas deve ser sugerido, convidado, e se for criança, em tom de brincadeira, e sem muita insistência ( o por que explicarei depois); 2)Autistas são pessoas sensíveis, contemplativas e que tem uma necessidade de solitude muito maior do que as outras pessoas, ou seja, tem necessidade de serem deixados em paz , sozinhos e isolados por mais tempo que outras pessoas, e isto não é um defeito, nem um sintoma , é da Natureza deles.Então , não se deve chamar a atenção deles a toda hora e qdo eles quiserem ficar sozinhos, deve-se deixar eles ficarem sozinhos, e não se preocupe, ficar sozinho é uma fonte de prazer e diversão para Autistas, não de solidão e tristeza;3) Não tente tirar ou modificar as rotinas , "manias" e movimentos repetitivos do Autista, nem seu extremo interesse por algum assunto ou personagem específico, deixe ele curtir esta paixão.Qualquer mudança de rotina deve ser avisada com antecedência e negociada.Deixe ele ter seus rituaizinhos de sempre, por mais demorados que seja e não tente mudá-los. Autistas um dia também enjoam de seus rituaizinhos e criam novos, mas são eles que tem que mudar quando ELES quiserem, não vocês; 4) Estimule a criatividade dele , oriente-o desde pequenininho para a independência , autonomia e liberdade dele, faz tudo por ele, mas NÃO FAÇA TUDO PARA ELE NO LUGAR DELE, deixe ele se virar e fazer as coisas sozinho; 5) Acredite nos sonhos, capacidades e potenciais dele, e o ajude a cumpri-los, MAS NÃO O CUMPRA PARA ELE, NO LUGAR DELE, ele é que tem que conseguir, com sua ajuda sim, mas a maior parte ele é quem tem de conquistar por mérito próprio; 6)Não queira que ele seja como você gostaria que ele fosse, deixe ele ser ele mesmo, deixe ele exercer seu Autismo, não tente mudar o comportamento autístico dele. 7)Ao ensinar alguma coisa para ele, ensine-o ao lado dele, sem olhar nos olhos dele, nunca de frente, sempre de lado, o aprendizado lateral é muito mais eficiente para Autistas do que o tradicional , de frente olhando nos olhos; 8)Não fique tentando arranjar amiguinhos(as) para ele (se for criança), ou amigos(as), não o force a ser sociável, e não se preocupe nem o repreenda se ele (caso for criança) preferir objetos do dia a dia da casa e mobília do que brinquedos ou se preferir brincar sozinho, é da Natureza dele, e amigos/amigas só vão atrapalhá-lo e deixá-lo nervoso, justamente pq ele quer brincar sozinho em paz -se ele quiser amigos ou amigas, ele mesmo irá correr atrás ou pedir sua ajuda; 9) Caso ele surte: O Autismo é muito diverso e cada Autista tem uma reação diferente, mas em muitos casos, abraçar, tentar conversar, ou pior, ter uma reação desesperada, nervosa, só piora. Em muitos casos, o melhor é deixar ele sozinho até ele se acalmar, não se preocupe, ele se acalma sozinho, e até lá, deixe ele externar toda a raiva dele, ele precisa desta válvula de escape para se acalmar: é muito comum em Autistas descontar sua raiva nos objetos, isto os acalma; 10) Nunca fique insistindo em ordens, ou para ele fazer alguma coisa, sistemáticamente, esta é uma das maiores causas de surtos em Autistas. Nunca fique negando nada sistemáticamente , só por negar, sem uma razão lógica para isto. Quando for negar alguma coisa ao Autista, explique o por que de estar negando , de forma clara e com argumentos lógicos e deixe ele questionar seus argumentos, e negocie com ele até chegar a um acordo bom para os dois.Nunca negue sem explicar ou alegando por que sim, por que não, nem nunca negue impedindo ele de questionar a negação, alegando respeito. Lembre-se de que questionar e desobedecer nem sempre é desrespeitar, muitas vezes inclusive, é a forma que o filho tem de dar uma resposta ao desrespeito dos pais dele a ele, pois toda forma de autoritarismo é uma forma de desrespeito.

Cristiano Camargo

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Autismo no Microscópio

 


O que artigos "cientificos" sobre Autismo publicados pela imprensa, geralmente interpretados errado, ou distorcidos pela própria imprensa, e geralmente de "pesquisadores" obscuros de universidades sem renome e publicados em revistas científicas fajutas, sem credibilidade nenhuma, picaretas mesmo, que são a esmagadora maioria dos "artigos científicos" que circulam nas comunidades de Autismo do face, tem a ensinar 'as Mães e Pais de Autistas, e a Autistas própriamente ditos, especialmente certos Autistas Ativistas, que só se informam destas fontes duvidosas de credibilidade científica zero, afinal?
Sim, estes artigos mesmos, todos patologizantes, espectristas, reducionistas, infantilizadores, estigmatizantes!
Eles ensinam os pais a amar e incluir seus filhos da maneira ERRADA ! Ensinam a incluir seus filhos como se eles fossem doentes, e portassem transtornos, síndromes, desordens, disfunções,deficiências, déficits,ensinam a superproteger e limitar os filhos, ensinam a não acreditar nas capacidades e potenciais dos filhos, ensinam a fazer tudo para o filho no sentido de fazerem tudo o que o filho precisaria fazer no lugar do filho sem deixar o filho fazer absolutamente nada sozinho. Ensinam a odiar um diagnóstico, e, muito pior, ensinam a odiar uma Natureza de Ser beliíssima e sensível, ensinam a só amar aos filhos se os filhos forem do jeito que os pais , os médicos e a sociedade quiserem que sejam, não como os filhos realmente são, colocam um condicional a frente do amor dos filhos. Não, isto não é culpa dos pais e mães, estes artigos populares e os médicos adeptos deles é que são péssima influência para os pais e ensinam tudo errado para os pais, que, leigos, acreditam na "autoridade dos Doutores", mesmo por que não veem outra saída, já que nenhuma outra lhes é oferecida. Com isto, estes artigos também ensinam a infantilizar os filhos autistas e os manter artificialmente defendentes pelo resto da vida, carimbando um "severo" na frente deles.Quando na verdade, severo mesmo é o julgamento de tribunal de Inquisição que estes doutores e a Sociedade fazem destes Autistas, julgando ao invés de compreender.Amar um filho ou uma filha é aceitar o filho ou a filha do jeitinho que eles são, com seus comportamentos autísticos, com suas qualidades e defeitos, não como se fossem doentes, coisa que eles e elas não são.Incluir tem de ser do modo certo. Incluir como doente não é incluir, é excluir, marginalizar, tirar de circulação, segregar, isolar, ESTIGMATIZAR. É preciso incluir de igual para igual, com direito a participação e voto e a ser levado(a) a sério, tratando adultos como adultos, não como se fossem eternas crianças, pois incluir também é respeitar.
Por outro lado, o que a Visão Positiva do Autismo e a Neurodiversidade tem a ensinar 'as Mães e Pais de Autistas é muito mais saudável, concreto e real, ensinando eles a amar os filhos do jeitinho que são, dar muito mais importãncia 'a Natureza Autística do que a diagnóstico, ensinando-os a criar os filhos desde pequeninhos com educação voltada para a autonomia,independência e liberdade, a fazer tudo pelos filhos sem ficar fazendo tudo para os filhos, no lugar deles, ensina e estimula a acreditar, apostar, investir nas capacidades e potenciais dos filhos e a realizar os sonhos dos filhos e obter a felicidade e realização dos filhos.Ensina a amar o Autismo dos filhos, pois isto é parte natural de aceitar os filhos como eles realmente são e , portanto, amar o Autismo é uma forma de amar aos filhos, por que assim se ama o que os filhos são e como são e se comportam (Autismo como Natureza de ser) e não a um diagnóstico que teima em tentar convencer aos pais que os filhos sejam doentes.Tem gente que, quando se fala de Autismo, pensa automáticamente (e responde neste mesmo tom)que se esteja falando do diagnóstico do Autismo, nem lembra ou sabe que Autismo é uma Natureza , não um diagnóstico, e que o diagnóstico é só uma simples constatação do que há muito já existia muito antes do diagnóstico sair. A Natureza Autistica tem a dimensão (e importãncia) de um universo inteiro , enquanto o diagnóstico de Autismo tem a dimensão (e a importãncia) de um dedal, ou um dado, ao ser confrontado com a importãncia e dimensão da Natureza Autística.Ver o Autismo só como um diagnóstico é tentar ver um universo através de um microscópio, de tão tacanho e minúsculo que isto é, de tão estreito que isto é.Estas pessoas não tem idéia da imensidão e harmonia sinfônica e belíssima do Autismo, talvez esteja mesmo além, muito além do alcance de seus microscópios, jalecos e diplomas nas paredes, que é só até onde conseguem ir suas mentes tão acanhadas e microscópicas, tais pessoas nunca conseguirão ter idéia das galáxias que se estendem para além de suas bolhas de sabão dentro das quais vivem, ignorando a vastidão e beleza esplêndida da Realidade...
 
 
Cristiano Camargo