sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Um pouco sobre a Diversidade Autística
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021
Tem medo que seu próximo filho seja Autista?Então leia aqui !
domingo, 14 de fevereiro de 2021
A invisibilidade Autista
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
O Remador contra a Correnteza: Ser tratado como Autista ou como "pessoa comum"?
Olha, eu fui diagnosticado somente aos 41 anos de idade, e isto me fez um bem danado! Não tive de frequentar psiquiatras, nem tomar remédios, nem passar por "metodos" que tentam transformar Autistas em não-autistas subjugados, obedientes, cativos, e pude me superar sozinho e ser bem sucedido. Ser tratado como uma pessoa comum, com as pessoas te chamando de estranho? Quer o que? Quer ser tratado(a) como se fosse um(a) doente e ser superprotegido(a) e infantilizado(a)? Um tratamento condescendente que o/a tratem como coitadinho(a)? Sim, por que é exatamente isto o que a Sociedade entende por "ser tratado como Autista": receber um tratamento inferior, humilhante, poupado de tudo e de todos, colocado numa redoma que é na verdade uma prisão- de luxo ou não.E por acaso o tratamento das pessoas para com Autistas não deveria ser o mesmo do que o para com não-autistas?Diferenciar o tratamento é discriminar ! Uma vez que o Autismo é revelado públicamente, o público já começa a nos ESTIGMATIZAR, infantilizar, nos reduzir a diagnósticos com duas pernas, nos tratar como se fôssemos, nós Autistas, "coitadinhos doentinhos que precisam de proteção e que vão ficar dependentes de nós a vida inteira". Isto é estigmatizar, é exercer preconceito. Muitas vezes isto acontece por desinformação, ignorãncia, ou por serem leigos. Outras vezes, por maldade, crueldade mesmo. Mas quando mais precoce é o diagnóstico, mais cedo vem o massacre, mais cedo vem a opressão, mais cedo vem os bárbáricos remédios psiquiatricos pesadissimos, mais cedo vem a pressão para "não se comportar mais como um autista e ser como todo mundo". É ruim, gente, muito ruim, diagnóstico precoce é péssimo para Autistas, quanto mais tarde, melhor.Por que já tem estrutura psicológica para enfrentar o massacre hediondo das pressões da sociedade que tentam nos mutilar psicológicamente, seja por meio de remédios, seja por meio de maniqueísmos, autoritarismos, pressões sociais, "tratamentos", "métodos", etc. Não necessitamos de tratamentos psiquiátricos, precisamos de compreensão e aceitação. Se sentir estranho(a)? Olhem, eu tive uma infãncia e uma pré adolescência bastante isoladas, mas o isolamento me dava profundo prazer.Eu tinha consciência de que era diferente, e ser diferente para mim sempre fora uma qualidade. No dia em que uma velha amiga de minha mãe me disse, depois que meu já hoje falecido irmão me chamou de diferente no sentido de esquisito:"-Cristiano, você é diferente PARA MELHOR", Aí desencanei de vez com isto (aos 9 anos de idade) e passei a assumir alegremente e com tremendo orgulho minha diferença, do modo mais descarado do mundo. Deixei de ser escravo do que as outras pessoas iriam pensar de mim, e isto me fez muito bem. Não tinha o menor interesse em saber qual o nome desta diferença, isto para mim não importava. Ok, Autistas são muito diferentes entre si, e as mulheres autistas mais ainda, e as pressões que elas sofrem da Sociedade, as cobranças, para elas são maiores ainda do que as nossas, isto é um fato. Mas não vai ser um diagnóstico que aliviará isto, na verdade só aumentará as pressões e cobranças, então, o que há de mais importante para mulheres e homens autistas aprenderem na vida é SE IMPOR, IMPOR O RESPEITO, IMPOR SUA DIFERENÇA , EXIGIR QUE O TRATAMENTO NÃO SEJA CONDENSCENDENTE NEM INFERIOR. Exigir e impor respeito, é fundamental, e para isto é necessário se assumir como Autista, gostar de ser visto(a) como diferente, ver nisto uma qualidade, AMAR SEU AUTISMO, assumir sua diferença, sair do Armário. Sim, é difícil, é doloroso, é sofrido, mas vale a pena, pois é isto que vai te permitir enfrentar o "ser tratado como pessoa comum" e não virar pessoa comum, não ceder as pressões e cobranças, não tentar ser o que não é. A pior coisa que um(a) Autista pode fazer na Vida é tentar ser e se comportar como não-autista para agradar aos outros, tentar ser o que não é, se mutilar mental e psicológicamente.Não dará certo, trará sofrimento desnecessário e estragará sua vida. Autistas, não façam isto, sejam vocês mesmos, lutem para que as pessoas gostem de vocês e as aceitem como realmente são. São as outras pessoas quem tem de se adaptar a vocês, não vocês a elas. Claro, muitos(as) Autistas não viram suas Diferenças como vi na minha infãncia, mas ouçam este velho autista de 57 anos de idade e muita vivência, muita experiência de vida e muito traquejo no com o tratar que não autistas o dispensam. Mudem de atitude, assumam-se, insito, amem sua diferença e orgulhem-se delas ! Muitas vezes o que as pessoas chamam de esquisitos(as)/estranhos(as) são na verdade qualidades que elas invejam em vocês. Então, se te chamarem de estranho(a), esquisito(a), respondam de cabeça altiva e com todo orgulho:"-Muito obrigado(a), voc~e acabou de me elogiar !". E deem as costas 'a pessoa desconcertada com esta resposta inesperada. Por que se vingar é melhor que chorar. Por que isto é se impor, se empoderar. Então a luta de vocês, de todos nós Autistas, é se empoderar, inclusive políticamente.Ser subversivo(a) é a melhor resposta ! Por que muitas vezes a pessoa que é a única a remar contra a correnteza enquanto todas as outras remam a favor, é a única correta e as demais, erradas.Pensem nisto, amigos e amigas Autistas. Não deixem um diagnóstico e as outra pessoas definirem a vocês nem as suas vidas. Só sua Natureza, sua Natureza Autística, tem o direito e o poder para fazer isto.
Cristiano Camargo
domingo, 31 de janeiro de 2021
Interações Sociais Autísticas na Sociedade
O Autismo é uma diferente Natureza de Ser, que faz parte da Diversidade Natural Humana. Todos os Autistas são muito diferentes entre si, sem graus, níveis, classificações, apenas diferentes, ponto. Assim, cada Autista reagirá de uma maneira diferente ao bullying e ao preconceito. Porém, a Natureza Autística, ou mais, ou menos pronunciada em cada indivíduo Autista, é contemplativa e autodidata, de forma que é muito comum Autistas aprenderem sozinhos os assuntos que amam, uma grande fascinação pela descoberta do conhecimento, e assim, muitos tem necessidade imperiosa de solitude, ou seja, silêncio e isolamento para criar, produzir "filosofices", mergulhar em ricos e complexos mundos de fantasia e criatividade. Porém, Sociabilidade e Interação Social não são obrigações, devem ser opções de cada um(a) a serem respeitadas. E muitas vezes , a pressão social pela sociabilidade e interação vão contra esta natureza de ser contemplativa, autodidata, criativa. Para quem não tem o privilégio de nascer com uma Natureza de Ser admirável como esta, é difícil compreendê-la, por que ela não é o padrão da Sociedade Não-Autista, pois este padrão é o de ser copia-e-cola, preguiçoso para pensar, ser maria-vai-com-as-outras, se acomodar em zonas de conforto e ser individualista e sociável, mas uma sociabilidade vazia, de relaçoes superficiais individualistas, narcisísticas , egoístas e ególatras, competitiva ao invés de cooperativa, sem empatia.As interações sociais exercem a hipocrisia e a "Lei do Gérson".Vale a pena inserir o Autista em uma rede de interações sórdidas e existencialmente vazias , rasas, como esta, alguém que com frequencia é tão sensível e tão altruísta, tem tanta empatia e teoria da Mente?Isto vai da reflexão e decisão de cada um, não me cabe julgar. Mas se quisermos esta Inclusão, precisa ser uma Inclusão de verdade. Por que digo isto? Por que esta história de "O Autista tem de se adaptar 'a Sociedade para ser sociavel e interagir socialmente e interagir socialmente para que ele possa ser incluído" não está com nada, é completamente equivocada e preconceituosa e autoritária também. Não é o Autista quem tem de se mutilar mentalmente e deixar de ser contemplativo e se comportar como se fosse não -autista para ser incluso. Esta não pode ser um exigência da Sociedade, uma condição para que ele seja aceito na Sociedade. Por que não se incluem os iguais, eles já estão inclusos. Incluir significa admitir em seus círculos os Diferentes , compreender profundamente e respeitar suas Diferenças. Isto é ser honrado, ser magnãnimo, ter caráter reto e ser honesto, ser Moral e Civilizado.Então é a Sociedade quem tem a obrigação moral de se adaptar , entender e aceitar ao Autista como ele é, sem encará-lo como se ele fosse doente ou portador de um transtorno, pois aí, além de ser um ato psicofóbico e preconceituoso, seria colocá-lo dentro da Sociedade com um status social inferior aos demais, para mantê-lo sob controle, sem autonomia, independência nem liberdade, ou seja, sem dignidade.Outra coisa que precisa ser entendida é a de que Ser sociável e ter interações sociais não só não é obrigação de ninguém, como não pode ser estabelecida como condição para a Inclusão. Por que toda Inclusão é, e deve ser sempre, INCONDICIONAL .
. Além do mais, eis que pois, não é necessário ser sociável nem interagir socialmente para estar incluido(a) na Sociedade. A pessoa pode ser isolada, trabalhar em home office, ganhar seu dinheiro, se sustentar, pagar seus impostos e contribuir com a Sociedade através de seu trabalho.E estará incluso, mesmo não interagindo comumente com ninguém, só virtualmente.
Assim, o papel dos pais de Autistas deve ser o de educar seus filhos para a independência, autonomia, liberdade, e ensiná-lo a se impor perante os outros e impor o respeito. E o dos pais de não-Autistas deve ser o de educar seus filhos a entenderem e aceitarem e admirarem as Diferenças e a não praticarem bullying nem chacotas. E o das autoridades educacionais e da Sociedade é punir os praticantes de bullying e conscientizá-los. Por que se não tiver algum tipo de punição, não só não aceitarão a conscientização, como vão se apoiar na impunidade para continuar fazendo chacotas e batendo, espancando, matando.Então o certo é chamar os pais das crianças que zoam com Autistas e conclamá-los a punir seus filhos por isto e os conscientizarem da importãncia de tratar os Autistas com respeito e dignidade.Só educando as atuais e futuras gerações de não-Autistas, poderemos terminar com este preconceito que já começa na infãncia-e que pode piorar com o tempo.Então nada de chorar, é se impor as crianças que zoam com seus filhos, pegar os nomes dos pais deles e fazer reuniões com eles , de conscientização e exigindo reparações e providências. É preciso muita objetividade nesta hora, se quiserem defender seus filhos e impedir que sejam vítimas de novo. Nós, Autistas, agradecemos !
Cristiano Camargo
sábado, 28 de novembro de 2020
Dez Dicas Preciosas para Mães e Pais de Autistas no lidar com seus filhos
Vou agora lhes dar algumas dicas, as quais eu tenho dado para muitas mães, que talvez possam lhes ser úteis, então, lá vai:
1)
Autoritarismo e Autismo não combinam. Muitas mães me procuram para
pedir dicas de como forçar os filhos delas a obedecerem a elas
cegamente, ficarem dóceis e submissos, dicas estas que nunca dou, pq
prejudicariam os filhos delas. Autistas não aceitam ordens, não gostam
de serem mandados, e nunca serão, por conta própria, dóceis e submissos.
Por isto que muitos médicos administram remédios psiquiatricos que
forçam a submissão artificialmente, o que a longo prazo, faz um mal
danado aos Autistas. Tudo com os Autistas deve ser sugerido, convidado, e
se for criança, em tom de brincadeira, e sem muita insistência ( o por
que explicarei depois); 2)Autistas são pessoas sensíveis, contemplativas
e que tem uma necessidade de solitude muito maior do que as outras
pessoas, ou seja, tem necessidade de serem deixados em paz , sozinhos e
isolados por mais tempo que outras pessoas, e isto não é um defeito, nem
um sintoma , é da Natureza deles.Então , não se deve chamar a atenção
deles a toda hora e qdo eles quiserem ficar sozinhos, deve-se deixar
eles ficarem sozinhos, e não se preocupe, ficar sozinho é uma fonte de
prazer e diversão para Autistas, não de solidão e tristeza;3) Não tente
tirar ou modificar as rotinas , "manias" e movimentos repetitivos do
Autista, nem seu extremo interesse por algum assunto ou personagem
específico, deixe ele curtir esta paixão.Qualquer mudança de rotina deve
ser avisada com antecedência e negociada.Deixe ele ter seus
rituaizinhos de sempre, por mais demorados que seja e não tente
mudá-los. Autistas um dia também enjoam de seus rituaizinhos e criam
novos, mas são eles que tem que mudar quando ELES quiserem, não vocês;
4) Estimule a criatividade dele , oriente-o desde pequenininho para a
independência , autonomia e liberdade dele, faz tudo por ele, mas NÃO
FAÇA TUDO PARA ELE NO LUGAR DELE, deixe ele se virar e fazer as coisas
sozinho; 5) Acredite nos sonhos, capacidades e potenciais dele, e o
ajude a cumpri-los, MAS NÃO O CUMPRA PARA ELE, NO LUGAR DELE, ele é que
tem que conseguir, com sua ajuda sim, mas a maior parte ele é quem tem
de conquistar por mérito próprio; 6)Não queira que ele seja como você
gostaria que ele fosse, deixe ele ser ele mesmo, deixe ele exercer seu
Autismo, não tente mudar o comportamento autístico dele. 7)Ao ensinar
alguma coisa para ele, ensine-o ao lado dele, sem olhar nos olhos dele,
nunca de frente, sempre de lado, o aprendizado lateral é muito mais
eficiente para Autistas do que o tradicional , de frente olhando nos
olhos; 8)Não fique tentando arranjar amiguinhos(as) para ele (se for
criança), ou amigos(as), não o force a ser sociável, e não se preocupe
nem o repreenda se ele (caso for criança) preferir objetos do dia a dia
da casa e mobília do que brinquedos ou se preferir brincar sozinho, é da
Natureza dele, e amigos/amigas só vão atrapalhá-lo e deixá-lo nervoso,
justamente pq ele quer brincar sozinho em paz -se ele quiser amigos ou
amigas, ele mesmo irá correr atrás ou pedir sua ajuda; 9) Caso ele
surte: O Autismo é muito diverso e cada Autista tem uma reação
diferente, mas em muitos casos, abraçar, tentar conversar, ou pior, ter
uma reação desesperada, nervosa, só piora. Em muitos casos, o melhor é
deixar ele sozinho até ele se acalmar, não se preocupe, ele se acalma
sozinho, e até lá, deixe ele externar toda a raiva dele, ele precisa
desta válvula de escape para se acalmar: é muito comum em Autistas
descontar sua raiva nos objetos, isto os acalma; 10) Nunca fique
insistindo em ordens, ou para ele fazer alguma coisa, sistemáticamente,
esta é uma das maiores causas de surtos em Autistas. Nunca fique negando
nada sistemáticamente , só por negar, sem uma razão lógica para isto.
Quando for negar alguma coisa ao Autista, explique o por que de estar
negando , de forma clara e com argumentos lógicos e deixe ele questionar
seus argumentos, e negocie com ele até chegar a um acordo bom para os
dois.Nunca negue sem explicar ou alegando por que sim, por que não, nem
nunca negue impedindo ele de questionar a negação, alegando respeito.
Lembre-se de que questionar e desobedecer nem sempre é desrespeitar,
muitas vezes inclusive, é a forma que o filho tem de dar uma resposta ao
desrespeito dos pais dele a ele, pois toda forma de autoritarismo é uma
forma de desrespeito.
Cristiano Camargo
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
Autismo no Microscópio