domingo, 21 de março de 2021

Autismo: Socialização não é Dever !

 Socialização não é obrigação nem dever de ninguém, assim como a interação social. É um direito, não um dever, uma opção a ser respeitada, seja qual for a decisão tomada (ser ou não sociável). Igualmente o não desejo/o não querer/o não gostar de socializar não deve ser não deve ser interpretado nem como "dificuldade de socialização, nem como déficit de socialização, nem como atraso de socialização, nem como sintoma de nada, nem como doença, nem como transtorno, nem como síndrome, nem como desordem, nem como disfunção, nem como perturbação, nem como condição, nem como deficiência de nada, nem como inferioridade em relação a nada, deve ser interpretado como uma escolha natural, parte da Natureza de Ser da pessoa. Autistas tem uma Natureza que é contemplativa por natureza e tem uma necessidade muito maior de Solitude em relação 'as demais pessoas.E isto são características intrinsecas da Natureza Autística, não doenças, sintomas, etc. Deve ser compreendida como natural e respeitada.Não quer, não quer, ok, acabou, não seja. É assim que as pessoas devem reagir quando o/a Autista resolve não ser sociável ou demonstra não estar 'a vontade com o ambiente social.Isto NÃO É EXCLUIR, vejam bem, isto é respeitar as Diferenças. É perfeitamente possível a pessoa estar inclusa na sociedade sem se relacionar físicamente (ao vivo) com ninguém e viver sozinha, isolada e FELIZ, trabalhando em home office, ganhando seu dinheiro, se sustentando, pagando suas contas, consumindo, portanto, estando perfeitamente inclusa dentro da sociedade.Sociabilidade pode ser oferecida (sem insistência), como convite, mas jamais deve ser imposta, exigida, ordenada, forçada - Para ninguém !

 

Cristiano Camargo

quinta-feira, 4 de março de 2021

Autismo: Opositor Desafiador a quem?

 

Opositor Desafiador a quem? A o quê?
A Psiquiatria chama de Transtorno Opositor Desafiador toda pessoa, sobretudo criança, seja ele/ela autista ou não,que não seja absolutamente obediente aos pais (ou 'a própria Sociedade) de modo absolutamente servil, que não seja totalmente submissa, cativa, calada, quietinha, e que não aguente todos os abusos arbitrários de autoridade sem reclamar, sem protestar, sem dar o troco na mesma ou em diferente moeda.
Não seria o comportamento "transgressivo" da criança mera resposta 'a transgressão e autoritarismo que sofre? Não será ela uma vítima?Não terá ela direito de reagir 'a altura, do jeito que sabe?E não se está falando só de pais: muitas vezes o sistema escolar pode ser opressor e autoritário, colegas de escola idem, funcionários da escola idem, parentada idem, vizinhos idem.E 'as vezes é simplesmente pressão demais de todos estes lados por sobre a criança e uma hora ela explode, e se as provocações autoritárias são sistemáticas e frequentes, mais frequente será o comportamento agressivo, "transgressor", "opositor", "desafiador".
Afinal, a quem a criança desafia?Não , não é a quem manda nela, é ao comportamento de mandar nela, o comportamento de abusar de mandar nela. O que é chamado de desafiador, é assim chamadom por que quem chama este comportamento disto se sentie pessoalmente desafiado(a) pelo comportamento da criança, e no fundo o "desafio" está em forçar na marra a obediência, a submissão, a servilidade e subserviência da criança 'a quem manda nela, seja com remédios psiquiátricos calmantes e dopadores, seja com "terapias"/"métodos", seja com "punições físicas exemplares" sistemáticas. Nunca é aventado que 'as vezes, muitas vezes, o problema não está na criança, e seu comportamento, mas em quem manda e abusa do poder de mandar.Nunca se manda quem manda para um acompanhamento psicológico, só a criança.Por que sempre pensam que o problema seja sempre ela, só ela.
Só que criança calada, quietinha, obediente demais, e que não dá trabalho, é criança doente. Criança dá trabalho sim, e tem o direito de dar trabalho, de desobedecer e errar, e todo pai e toda mãe precisam estar cientes disto e precisam aceitar este "trabalho" que a criança vai dar como natural e inevitável, e devem se certificar de que tem estrutura psíquica para suportar isto. Não dá para querer se pai ou mãe e ter esperança de que o filho ou a filha nunca vá desobedecer nem nunca vai dar trabalho nenhum, pois crianças não são bichinhos de pelúcia, que a gente coloca numa prateleira e ele fica lá quietinho, pela eternidade.Vai dar trabalho sim, vai desobedecer muito sim, vai quebrar as coisas sim, vai se machucar, se acidentar, vai cair da bicicleta tentando empinar, é simplesmente natural a criança desobedecer e aprontar, fazer bagunça, dar trabalho, fazer birra, é próprio da infância, esta fase de aprendizado, então o papel dos pais não é impedir que ela desobedeça, é se certificar que ela aprenda com seus erros e amadureça, é ensinar.E quanto maior o autoritarismo e punitivismo, e qto mais estes sejam sistemáticos, maior a revolta que causarão. Não se trata de "fazer todas as vontades da criança" (argumento típico dos autoritários), se trata de que disciplina tem limites, e autoridade dos pais também, há que se saber até onde se pode ir. E há que se entender que pais e mães são humanos como quaisquer outras pessoas e podem errar sim, quem não erra nunca?E assim como podem errar, podem aprender com seus erros também para acertarem na próxima vez. A autoridade tem de ter um propósito e este não pode ser o de conseguir o respeito das crianças pelo medo -aí é desrespeitar as crianças. O respeito precisa advir naturalmente e espontâneamente, quem gera o verdadeiro respeito é o Amor, não o Pavor.Por que quem ama, respeita! E isto vale tanto para o lado dos filhos como para o lado dos pais.
A Psiquiatria faz isto para tentar passar para estas pessoas e para a sociedade, que filho saudável é filho submisso, cativo, servil, calado ,subserviente, sem opinião nem vontade própria, sem visão crítica da realidade e de que é "normal" e "saudável" os que ela considera "normais" serem neuróticos, autoritários e impacientes, estressados . Sim, é uma questão política, não de psiquiatria.
Autoritarismo parental existe sim, sobretudo do membro masculino dos progenitores(mas não só dele, embora dele seja o mais comum), mais do que a hipócrita sociedade quer admitir.
E sim, vários psiquiatras são neuróticos, ansiosos, autoritários e estressados.Podem nem passar isto para seus clientes, mas tiram a máscara desumana de auto controle "divino" quando chegam em casa para suas famílias.Claro que nem todos, mas vários.
E vários deles passam esta neurose, este autoritarismo, esta ansiedade, este stress e esta ideologia absolutista para seus trabalhos científicos, para criar transtornos que, no fundo, são expressões da sua própria psiquê, da forma autoritária com que veem o Mundo, as pessoas. Outros, por ganãncia, para terem mais clientes e prescreverem mais remédios, terem mais lucros, patologizando o que é saudável e natural. Ainda assim,certos psiquiatras tem um ditador dentro de si (especialmente os que redigem o CID/DSM), que grita para se libertar e sair do armário e romper a camisa de força do autocontrole...então, quem é transtornado opositor desafiador mesmo?
 
Cristiano Camargo

segunda-feira, 1 de março de 2021

O Autista e seus interesses específicos:O que fazer?

 

O Autista e seus interesses específicos: o que fazer?

Está cheio de postagens nos grupos de Autismo tipo :"-Mamães, meu filho só se interessa por isto, só se interessa por aquilo, o que é que eu faço?"
(como se nos grupos só tivessem mães de Autistas lendo, nem lembram que muitas vezes tem Autistas lendo, pais, médicos(a0, terapeutas, uma infinidade de gente diferente que frequentam estes grupos)
Mas vamos lá:
Geralmente quem publica este tipo de postagem, está preocupada e tem a intenção de fazer o filho se interessar por outras coisas (e geralmente o assunto que o filho se interessa não costuma despertar o interesse da mãe por tal assunto) ou tentar fazê-lo parar de se interessar tanto por aquele assunto.
Ocorre que esta preocupação (que muitas vezes vira aflição e angústia maternas, enquanto o filho não está nem aí para se interessar muito por um assunto só, é uma fonte de prazer e alegria para ele) é descabida e fruto de pura desinformação sobre o Autismo.
As pessoas chamam de fixação,mania, obcessão, mas não é isto, não é nada disto. E o termo "hiperfoco" também é errado e inadequado para descrever, igualmente.
Autistas são extremamente diversos entre si, mas algumas coisas grande parte deles tem em comum.
Sim, Autistas muitas vezes tem interesses intensos e duradouros em assuntos específicos, mas ao contrário do que as pessoas pensam, eles não ficam presos a estes assuntos, nem ficam neles a vida inteira, sem se interessar por mais nada ao mesmo tempo.
Geralmente, Autistas tem fases de interesses por assuntos específicos, e é preciso deixar bem claro que não só crianças, mas estas fases perduram pela vida toda, mesmo na fase idosa da vida.
E um assunto de uma fase não substitui o outro, como as pessoas comumentemente pensam.Não. Eles vão sendo adicionados durante a vida e vão formando uma coleção.
É como a pessoa que lê um livro por muito tempo e depois vai organizando cada livro que lê em cada fase numa prateleira, todos enfileirados, e vão se acumulando ao longo da vida.
Sim, eles podem ficar vários anos no mesmo assunto, na mesma fase, assim como uma pessoa pode passar anos até terminar de ler um livro de 1500 páginas, por exemplo.É preciso que o assunto se esgote, ou o Autista enjoe daquele assunto um dia, para ele se interessar por outro, e pode acontecer de ele descobrir um assunto novo que seja fascinante para ele, e então coloque o velho assunto na prateleira, para sua coleção e inicie o novo, espontâneamente.
Isto tudo ocorre naturalmente, com o tempo, e 'a medida que a idade vai avançando, ele vai acumulando e colecionando assuntos preferidos e pode passar a se interessar sozinho, sem interferência de ninguém nem de nada, por diversos assuntos ao mesmo tempo. Uns mantém um assunto principal e diversos secundários a vida toda, outros diversificam seus assuntos sem ter nenhum principal, varia.
E a duração das fases varia muito, não só de indivíduo para indivíduo, mas para um mesmo indivíduo pode ter fases mais longas e mais curtas ao longo da vida, com durações aleatórias e imprevisíveis.

Também o modo de se concentrar e tratar seu(s) assunto(s) de interesse varia muito.
Então, muitas mães e muitos pais ficam preocupadas(os), aflitas(os), achando que o filho esteja encarceirado em um assunto só para sempre e que nunca mais vai se interessar por mais nada, por que para elas/eles, a fase "já está durando demais".
Porém, esta é uma visão contaminada pela desinformação e falta de informação sobre o funcionamento interno do Autismo, e também pela neura do imediatismo e ansiedade estressada muito comum nos Não-Autistas, e que na verdade não se fundamenta.
A aflição na verdade se origina na impaciência de muita gente para esperar a fase passar e entrar outra.
Muitas mães e muitos pais percebem, muitas vezes com certa mágoa (levando para o lado pessoal, quando na verdade isto não se aplica) , que muitos Autistas não apenas não estão nem aí para a preocupação dos pais com esta fase de interesse único (ou , muitas vezes, aparentemente único)como parecem não estar nem aí com eles (Autistas) próprios estarem nesta fase de interesse, o que aturde muitas mães e muitos pais, que não entendem como ele mesmo não se preocupa.Ou, pior, acham que ele não se preocupa por "ser doente", o que é totalmente errado da parte deles.
Na verdade, o Autista não se preocupa com ele estar naquela fase de interesse por que para ele isto é perfeitamente natural, não tem nada de mais, é algo que preenche sua vida e lhe dá prazer e alegria, então, por que se preocupar.
Mas não é verdade, como muitas mães e pais possam pensar, que ele sempre não esteja nem aí com a preocupação deles com ele.
Para os Autistas, como estar numa fase de interesse é algo natural e benéfico, muitos Autistas tende a pressupor que os pais também achem isto e vejam isto do mesmo jeito que eles veem.
Porém, quase nunca é assim, e muitos Autistas percebem esta preocupação dos pais, sem entender por quê (já que para eles é algo natural e pressuposto), e acabam sendo levados pela angústia, aflição , preocupação e ansiedade dos pais. No caso de muitos Autistas a aflição não é só a de ver os pais preocupados com eles (o que muitas vezes gera um sentimento de culpa), mas também não entender como é que algo que para ele é tão natural,tão benéfico, tão gostoso, tão pressuposto pode ser motivo de preocupação dos pais, e ele pode se perguntar se ele não estaria se comportando de modo errado, se não estaria fazendo algo feio, errado, pode ficar com medo de ser punido, enfim...a angústia pode assaltá-lo pela dúvida entre fazer o que gosta ou agradar aos pais e despreocupá-lo as custas do que o faz feliz.
Então, respondendo as perguntas destas mães: O que elas devem fazer?
Para ele parar de se interessar por este assunto específico e se interessar por outras coisas, NADA.
Devem sim incentivá-lo a continuar esta fase de interesse e ter paciência para esperar ele espontâneamente, sozinho, se interessar por outra coisa, que será tão específica quanto a primeira. E lembrar: nem todo garoto TEM QUE gostar de futebol, nem toda garota TEM QUE gostar de bonecas, fogõezinhos, etc, nem toda criança TEM QUE gostar de videogame o dia todo, nem toda criança TEM QUE gostar "do que todo mundo gostava quando era criança". Seu filho e sua filha tem nomes. Eles e elas não se chamam "Todo Mundo". Eles e elas tem direito a gostar de dinossauros, animais pré históricos, carros, astronomia, trens, navios, ficção científica, ou certos desenhos animados, programas de TV, séries, filmes de cinema muito específicos. Eles tem direito de preferir ler livros de papel ao invés de ficar na TV ou no videogame. Tem Autista com gosto para tudo, para todos os gostos, a variabilidade (diversidade) é imensa. E natural. E saudável!
E muitas vezes, sobretudo quando uma fase de interesse permanece a principal pela vida toda, estes interesses específicos podem ser o sinal de uma vocação forte para uma carreira profissional no futuro. Um Autista que ama dinossauros pode acabar virando um paleontólogo. Um outro que gosta de carros pode virar um engenheiro um dia. Outro que ama astronomia pode virar um astrônomo ou mesmo um astronauta no futuro.
Por tudo isto é bom incentivar, estimular.
Interesses específicos e concentrados são a grande alegria da vida dos Autistas, os fazem felizes. Vamos então deixá-los curtir suas felicidades e serem felizes. Estas auto realizações elevam o ego, afastam a angústia, a depressão, os surtos, a auto confiança, a auto estima, só fazem bem!
Então, não tentem tirar isto deles, não tentem cortar o barato deles. Vamos deixá-los em paz, por que mesmo se eles se isolando para curtir o que gostam e viverem estas paixões intensamente, eles não estão se sentindo sozinhos, nem solitários, eles estão felizes.
E entender isto neles é entender e aceitar as Diferenças !

Cristiano Camargo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Um pouco sobre a Diversidade Autística

 

Quando a pessoa diz: "-Os Autistas tem grandes potenciais e capacidades, menos este grupo de Autistas aqui, porque este grupo de Autistas os médicos chamaram eles de "severos", é o mesmo que ela dizer :"-Separa este grupinho aí , dos demais Autistas, este grupinho não tem direito a ter capacidade nem potencial para nada, vamos deixar eles para trás, por último, dar tratamento privilegiado aos outros e deixar estes marginalizados e esquecidos." Esta pessoa está sendo capacitista, preconceituosa, e está segregando, marginalizando e criando uma Casta Mental que esta pessoa julga ser inferior ao resto.
E quando a pessoa diz " - Este grupinho X é de gênios, tem as melhores capacidades e potenciais, vamos dar as melhores chances e a melhor educação para eles, Já o grupinho Y , vamos separá-los do resto e deixar eles só recortando papéizinhos coloridos e colorindo desenhos prontos , por que é o máximo que vão conseguir aprender", a pessoa também está sendo capacitista, preconceituosa, está segregando, marginalizando, estigmatizando e criando uma Casta Mental de Afortunados e outra Casta Mental de Desvalidos, párias, já que a pessoa considera o grupo X superior ao grupo Y, então está privilegiando um grupo enquanto está desprezando e estigmatizando, marginalizando o outro.
Tudo isto é excluir.São formas de excluir Autistas. Alegar que sejam incapazes só por causa da classificação no diagnóstico da pessoa é excluir, marginalizar, desprezar, menosprezar, pré-julgar e estigmatizar.É negar chances e oportunidades a uns e dar todas as chances e oportunidades a outros.
Injusto, não é?
Pois é, é assim que o conceito de "espectro do Autismo" funciona. Quem acredita e pratica este conceito faz exatamente isto: cria Castas Mentais, favorece uns, prejudica a outros, privilegia a uns e marginaliza, exclui, joga para fora da sociedade os outros.
E quem foi excluído sempre terá muito menos chances de se desenvolver- e aí é que nasce o processo de infantilização de Autistas, um processo cruel, artificial, injusto , eugenista.
Por isto que a Visão Positiva do Autismo e da Neurodiversidade e seu conceito de Diversidade Autística é um conceito moderno, justo ,eficiente. Por que eliminando-se classificações, graus, níveis, categorizações e comparações enquanto se mantém as diferenças, e se coloca as diferenças só como diferenças, sem se preocupar em medi-las, dá-se a todos os Autistas as mesma chances, as chances justas, as oportunidades adequadas e favorece-se a todos para empreender o desenvolvimento deles, todos eles.Sem exceções, sem separações, sem privilegiados e se sem desvalidos.
Por isto o conceito de "espectro do Autismo" TEM QUE CAIR em desuso e ser substituido de uma vez por todas pelo conceito da Diversidade Autística !
Então, quando falarmos em capacidades e potenciais de Autistas, paremos de ficar falando:"-Ah, mas este não consegue!", "-Ah, mas este não tem capacidade para isto!" "-Ah, mas este aqui não tem jeito!" "-Ah, mas este aqui já está comprometido!" "-Ah, mas nada disto se aplica a aquele ali ! " "-Ah, mas aquele ali,nem consegue fazer isto ou aquilo ainda, nunca vi conseguir" .
Todos conseguem, todos podem conseguir. Todos tem potencial e capacidade . Não vamos mais discriminar ninguém e separá-lo do resto. Nenhum Autista é melhor que o outro, mas nenhum Autista é pior que o outro. Vamos parar de comparações entre Autistas, e entre Autistas e não Autistas. Vamos ser justos, democráticos, modernos. Vamos dar chances e oportunidade a todos.Todos ! Não importa como eles aparentem ser, todos ! Todos tem este direito, e não podemos negar a ninguém!
Viva a Diversidade Autística !
Autistas, unidos, jamais serão excluídos !
 
Cristiano Camargo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tem medo que seu próximo filho seja Autista?Então leia aqui !

 

Para quem já é mãe de Autista e está grávida novamente ou vai ser pai de Autista de novo, ou tem medo de que o próximo filho seja Autista:
Ser Autista é um privilégio negado a muitos. Se ele for Autista, orgulhe-se e fique feliz com esta fortuna na sua vida ! E recomendo que deixes o diagnóstico para o mais tarde possível, para depois dos 30/40 anos de idade, enfim, deixe ele se decidir se quer tentar o diagnóstico ou não. pq diagnóstico só atrapalha, e vc evita de ele ter de ficar passando por tratamentos, métodos e remédios psiquiátricos, que só tem intenção de tentar transformá-lo em um não autista, e atrapalha o processo de desenvolvimento e amadurecimento autista dele. Mantenha-o o mais autista possível a vida toda e o incentive a se orgulhar de ser Autista. Mostre a ele que ser diferente não é destoar, mas se destacar positivamente, e que ser Autista é ser diferente para melhor. Eduque-o desde bem cedinho para a independência, autonomia e liberdade. Mostre a ele que ele deve se determinar a perseguir e conquistar seus sonhos e realizá-los. Sempre mostre a ele que ser Autista é ser Capaz, que Autistas são seres capazes, eficientes, não deficientes, e que ele pode conseguir tudo que ele quiser, mas que tem de se esforçar e se determinar, lutar. Deixe-o errar e faça com que ele aprenda com os erros e não o deixe se frustrar. Mostre a ele a importância de acreditar em si mesmo, na sua capacidade , no seu potencial, e acredite , aposte e invista nele e nos sonhos dele tanto quanto ele. Nunca o superproteja ! Faça tudo por ele, mas não faça tudo para ele, ensine-o e deixe-o tentar quantas vezes for necessário, até conseguir, nunca o deixe desistir, seja dele a maior torcida, o/a maior e melhor torcedor(a), vibre com as vitórias e conquistas dele, apóie-o e incentive-o após as derrotas, e mostre que só perdendo é que se ganha mais para a frente, e que as pessoas só aprendem errando, que ninguém aprende nada acertando sempre. Ensine-o que certos sofrimentos são necessários, mas que serão gratificantes no futuro. Ensine-o a enfrentar as pessoas, impor respeito, nunca se abater e a não ser passivo diante do bullying, ele precisa saber se defender. Mostre a ele do que ele é capaz, seja um exemplo e mostre do que você é capaz, dos desafios na vida que venceu e superou. Respeite a necessidade de solitude, não o pressione por sociabilidade, evite que outras pessoas o pressionem por sociabilidade e interação social, respeite a natureza contemplativa dele. Incentive a imaginação e a criatividade dele, incentive o crescimento do Mundo Interno de Fantasia dele. Evite autoritarismo, seja só o companheiro(a) dele -quando ele quiser compania. E lembre-se: o aprendizado autista é lateral, não de frente , olhando nos olhos, então o ensine sempre de lado, ao lado dele, olhando de lado para ele. Siga estas dicas e sejam felizes !
 
Cristiano Camargo

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A invisibilidade Autista

 

Um Autista morre ao cair do décimo sexto andar, e o que é debatido nas redes sociais?
A mãe dele. Nem uma palavra sobre ele, sobre o que poderia ter levado ele a isto, se ele sofria bullying constante na escola, ou outras razões externas ao Autismo, que poderiam ser a causa, como em muitos casos, por exemplo o abandono do pai levando-o a se sentir profundamente rejeitado e a depressão, enfim.
Não se trata de buscar culpados, isto é bobagem, se trata de descobrir o que o levou a isto, para que novas mortes sejam evitadas no futuro.
Claro que é importante apoiar a mãe e saber o que ela passava, mas poxa, quem morreu foi o filho, então por que o que ele passava antes de falecer não é discutido, por que o que levou ele ao suicídio não é investigado por ninguém?Digo, as razões psicológicas...
Mãe e filho são vítimas, é certo. Mas não acho certo focar exclusivamente na mãe e fazer de conta que o filho não existe, não existiu, como se ele fosse (e tivesse sido a vida inteira) invisível.Alguém precisa falar sobre o filho, ele merece a atenção da sociedade também.
Autistas não são seres teóricos nas sombras de suas mães. Eles existem, e nenhuma mãe é mãe se não tiver filho, são os filhos que fazem da mulher uma mãe, a razão da existência dela e ela a razão da existência deles, uma bela dialética.Mas falando só da mãe, esta dialética fica incompleta. Vamos dar mais importância aos filhos!
E , por favor, ao falar do filho, não joguem o Autismo em um tribunal, nem o julguem, nem o condenem, ele é inocente (no sentido de não é culpado) no caso , no triste caso desde rapaz !
Não cabe culpa a ninguém, nem a nada, mas a corrente de acontecimentos psicológicos que levou a este desfecho precisa ser exposta !
Cristiano Camargo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O Remador contra a Correnteza: Ser tratado como Autista ou como "pessoa comum"?

 Olha, eu fui diagnosticado somente aos 41 anos de idade, e isto me fez um bem danado! Não tive de frequentar psiquiatras, nem tomar remédios, nem passar por "metodos" que tentam transformar Autistas em não-autistas subjugados, obedientes, cativos, e pude me superar sozinho e ser bem sucedido. Ser tratado como uma pessoa comum, com as pessoas te chamando de estranho? Quer o que? Quer ser tratado(a) como se fosse um(a) doente e ser superprotegido(a) e infantilizado(a)? Um tratamento condescendente que o/a tratem como coitadinho(a)? Sim, por que é exatamente isto o que a Sociedade entende por "ser tratado como Autista": receber um tratamento inferior, humilhante, poupado de tudo e de todos, colocado numa redoma que é na verdade uma prisão- de luxo ou não.E por acaso o tratamento das pessoas para com Autistas não deveria ser o mesmo do que o para com não-autistas?Diferenciar o tratamento é discriminar ! Uma vez que o Autismo é revelado públicamente, o público já começa a nos ESTIGMATIZAR, infantilizar, nos reduzir a diagnósticos com duas pernas, nos tratar como se fôssemos, nós Autistas, "coitadinhos doentinhos que precisam de proteção e que vão ficar dependentes de nós a vida inteira". Isto é estigmatizar, é exercer preconceito. Muitas vezes isto acontece por desinformação, ignorãncia, ou por serem leigos. Outras vezes, por maldade, crueldade mesmo. Mas quando mais precoce é o diagnóstico, mais cedo vem o massacre, mais cedo vem a opressão, mais cedo vem os bárbáricos remédios psiquiatricos pesadissimos, mais cedo vem a pressão para "não se comportar mais como um autista e ser como todo mundo". É ruim, gente, muito ruim, diagnóstico precoce é péssimo para Autistas, quanto mais tarde, melhor.Por que já tem estrutura psicológica para enfrentar o massacre hediondo das pressões da sociedade que tentam nos mutilar psicológicamente, seja por meio de remédios, seja por meio de maniqueísmos, autoritarismos, pressões sociais, "tratamentos", "métodos", etc. Não necessitamos de tratamentos psiquiátricos, precisamos de compreensão e aceitação. Se sentir estranho(a)? Olhem, eu tive uma infãncia e uma pré adolescência bastante isoladas, mas o isolamento me dava profundo prazer.Eu tinha consciência de que era diferente, e ser diferente para mim sempre fora uma qualidade. No dia em que uma velha amiga de minha mãe me disse, depois que meu já hoje falecido irmão me chamou de diferente no sentido de esquisito:"-Cristiano, você é diferente PARA MELHOR", Aí desencanei de vez com isto (aos 9 anos de idade) e passei a assumir alegremente e com tremendo orgulho minha diferença, do modo mais descarado do mundo. Deixei de ser escravo do que as outras pessoas iriam pensar de mim, e isto me fez muito bem. Não tinha o menor interesse em saber qual o nome desta diferença, isto para mim não importava. Ok, Autistas são muito diferentes entre si, e as mulheres autistas mais ainda, e as pressões que elas sofrem da Sociedade, as cobranças, para elas são maiores ainda do que as nossas, isto é um fato. Mas não vai ser um diagnóstico que aliviará isto, na verdade só aumentará as pressões e cobranças, então, o que há de mais importante para mulheres e homens autistas aprenderem na vida é SE IMPOR, IMPOR O RESPEITO, IMPOR SUA DIFERENÇA , EXIGIR QUE O TRATAMENTO NÃO SEJA CONDENSCENDENTE NEM INFERIOR. Exigir e impor respeito, é fundamental, e para isto é necessário se assumir como Autista, gostar de ser visto(a) como diferente, ver nisto uma qualidade, AMAR SEU AUTISMO, assumir sua diferença, sair do Armário. Sim, é difícil, é doloroso, é sofrido, mas vale a pena, pois é isto que vai te permitir enfrentar o "ser tratado como pessoa comum" e não virar pessoa comum, não ceder as pressões e cobranças, não tentar ser o que não é. A pior coisa que um(a) Autista pode fazer na Vida é tentar ser e se comportar como não-autista para agradar aos outros, tentar ser o que não é, se mutilar mental e psicológicamente.Não dará certo, trará sofrimento desnecessário e estragará sua vida. Autistas, não façam isto, sejam vocês mesmos, lutem para que as pessoas gostem de vocês e as aceitem como realmente são. São as outras pessoas quem tem de se adaptar a vocês, não vocês a elas. Claro, muitos(as) Autistas não viram suas Diferenças como vi na minha infãncia, mas ouçam este velho autista de 57 anos de idade e muita vivência, muita experiência de vida e muito traquejo no com o tratar que não autistas o dispensam. Mudem de atitude, assumam-se, insito, amem sua diferença e orgulhem-se delas ! Muitas vezes o que as pessoas chamam de esquisitos(as)/estranhos(as) são na verdade qualidades que elas invejam em vocês. Então, se te chamarem de estranho(a), esquisito(a), respondam de cabeça altiva e com todo orgulho:"-Muito obrigado(a), voc~e acabou de me elogiar !". E deem as costas 'a pessoa desconcertada com esta resposta inesperada. Por que se vingar é melhor que chorar. Por que isto é se impor, se empoderar. Então a luta de vocês, de todos nós Autistas, é se empoderar, inclusive políticamente.Ser subversivo(a) é a melhor resposta ! Por que muitas vezes a pessoa que é a única a remar contra a correnteza enquanto todas as outras remam a favor, é a única correta e as demais, erradas.Pensem nisto, amigos e amigas Autistas. Não deixem um diagnóstico e as outra pessoas definirem a vocês nem as suas vidas. Só sua Natureza, sua Natureza Autística, tem o direito e o poder para fazer isto.

 

Cristiano Camargo

domingo, 31 de janeiro de 2021

Interações Sociais Autísticas na Sociedade

 

O Autismo é uma diferente Natureza de Ser, que faz parte da Diversidade Natural Humana. Todos os Autistas são muito diferentes entre si, sem graus, níveis, classificações, apenas diferentes, ponto. Assim, cada Autista reagirá de uma maneira diferente ao bullying e ao preconceito. Porém, a Natureza Autística, ou mais, ou menos pronunciada em cada indivíduo Autista, é contemplativa e autodidata, de forma que é muito comum Autistas aprenderem sozinhos os assuntos que amam, uma grande fascinação pela descoberta do conhecimento, e assim, muitos tem necessidade imperiosa de solitude, ou seja, silêncio e isolamento para criar, produzir "filosofices", mergulhar em ricos e complexos mundos de fantasia e criatividade. Porém, Sociabilidade e Interação Social não são obrigações, devem ser opções de cada um(a) a serem respeitadas. E muitas vezes , a pressão social pela sociabilidade e interação vão contra esta natureza de ser contemplativa, autodidata, criativa. Para quem não tem o privilégio de nascer com uma Natureza de Ser admirável como esta, é difícil compreendê-la, por que ela não é o padrão da Sociedade Não-Autista, pois este padrão é o de ser copia-e-cola, preguiçoso para pensar, ser maria-vai-com-as-outras, se acomodar em zonas de conforto e ser individualista e sociável, mas uma sociabilidade vazia, de relaçoes superficiais individualistas, narcisísticas , egoístas e ególatras, competitiva ao invés de cooperativa, sem empatia.As interações sociais exercem a hipocrisia e a "Lei do Gérson".Vale a pena inserir o Autista em uma rede de interações sórdidas e existencialmente vazias , rasas, como esta, alguém que com frequencia é tão sensível e tão altruísta, tem tanta empatia e teoria da Mente?Isto vai da reflexão e decisão de cada um, não me cabe julgar. Mas se quisermos esta Inclusão, precisa ser uma Inclusão de verdade. Por que digo isto? Por que esta história de "O Autista tem de se adaptar 'a Sociedade para ser sociavel e interagir socialmente e interagir socialmente para que ele possa ser incluído" não está com nada, é completamente equivocada e preconceituosa e autoritária também. Não é o Autista quem tem de se mutilar mentalmente e deixar de ser contemplativo e se comportar como se fosse não -autista para ser incluso. Esta não pode ser um exigência da Sociedade, uma condição para que ele seja aceito na Sociedade. Por que não se incluem os iguais, eles já estão inclusos. Incluir significa admitir em seus círculos os Diferentes , compreender profundamente e respeitar suas Diferenças. Isto é ser honrado, ser magnãnimo, ter caráter reto e ser honesto, ser Moral e Civilizado.Então é a Sociedade quem tem a obrigação moral de se adaptar , entender e aceitar ao Autista como ele é, sem encará-lo como se ele fosse doente ou portador de um transtorno, pois aí, além de ser um ato psicofóbico e preconceituoso, seria colocá-lo dentro da Sociedade com um status social inferior aos demais, para mantê-lo sob controle, sem autonomia, independência nem liberdade, ou seja, sem dignidade.Outra coisa que precisa ser entendida é a de que Ser sociável e ter interações sociais não só não é obrigação de ninguém, como não pode ser estabelecida como condição para a Inclusão. Por que toda Inclusão é, e deve ser sempre, INCONDICIONAL .

. Além do mais, eis que pois, não é necessário ser sociável nem interagir socialmente para estar incluido(a) na Sociedade. A pessoa pode ser isolada, trabalhar em home office, ganhar seu dinheiro, se sustentar, pagar seus impostos e contribuir com a Sociedade através de seu trabalho.E estará incluso, mesmo não interagindo comumente com ninguém, só virtualmente.

Assim, o papel dos pais de Autistas deve ser o de educar seus filhos para a independência, autonomia, liberdade, e ensiná-lo a se impor perante os outros e impor o respeito. E o dos pais de não-Autistas deve ser o de educar seus filhos a entenderem e aceitarem e admirarem as Diferenças e a não praticarem bullying nem chacotas. E o das autoridades educacionais e da Sociedade é punir os praticantes de bullying e conscientizá-los. Por que se não tiver algum tipo de punição, não só não aceitarão a conscientização, como vão se apoiar na impunidade para continuar fazendo chacotas e batendo, espancando, matando.Então o certo é chamar os pais das crianças que zoam com Autistas e conclamá-los a punir seus filhos por isto e os conscientizarem da importãncia de tratar os Autistas com respeito e dignidade.Só educando as atuais e futuras gerações de não-Autistas, poderemos terminar com este preconceito que já começa na infãncia-e que pode piorar com o tempo.Então nada de chorar, é se impor as crianças que zoam com seus filhos, pegar os nomes dos pais deles e fazer reuniões com eles , de conscientização e exigindo reparações e providências. É preciso muita objetividade nesta hora, se quiserem defender seus filhos e impedir que sejam vítimas de novo. Nós, Autistas, agradecemos !

Cristiano Camargo